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domingo, 26 de julho de 2009

estraterrestres

Depois de ler um desabafo do Iulo, fiz um comentário aparentemente nonsense. Para não parecer um lunático, explicarei minha teoria: me considero parte da Geração ET do Fantástico.

ET de Varginha
Imagem: Alexandre Jubran

Fazem parte dessa geração os nascidos entre 1984 e 1986, aproximadamente, mas pode respingar um pouco pra cima ou um pouco pra baixo. A característica que melhor identifica seus integrantes é ter sido assombrado pelos ETs do Fantástico. Os que eram só um pouquinho mais velhos achavam ridículo, os que eram só um pouquinho mais novos ainda não tinham muita consciência de nada, mas o pessoal 84-86 estava numa idade muito impressionável e ficava apavorado com os relatos sobre alienígenas que apareciam todo domingo na TV em meados da década de 90 – em especial o ET de Varginha e o terrível, apavorante e macabro ET da Autópsia.

ET da Autópsia

Este grupo, na verdade, está num grande limbo. Não pertenceu a nenhum grande movimento, não foi pioneiro em nada, e hoje vive com os pés bem plantados no chão. É a geração intermediária entres os grunges da MTV dos 90’s e os emos da MTV dos 00’s. Embora tenha participado da explosão da informática, veio depois dos verdadeiros “dinossauros” que já programavam os velhos 486 e máquina anteriores, mas também chegaram antes do pessoal que já pôde ter máquina digital, orkut e fotolog com 10 anos de idade.

Em termos televisivos, pegou a “reba” dos anos 80: Thundercats, Xuxa, Angélica, He-Man, Chaves, Caverna do Dragão, Cavalo de Fogo, Changemen, Jaspion, e por aí vai. Nada de propriamente seu. Em termos musicais, foi submetido à tortura do axé, da dança da bundinha, da perninha, do “bota a xeca pra sambar, ô-ô”. Em termos políticos, não participou do impeachment do Collor, não abraçou nenhuma grande causa das massas. Aqueles que ainda tentaram algo e se engajaram pela eleição do Lula em 2002 tomaram um tufo. Está totalmente desiludido com as instituições, porque nunca viu nenhuma que oferecesse qualquer possibilidade de melhorar concretamente a vida das pessoas.

Atualmente, essa geração está na fase de dar um rumo a suas vidas. Estão vivendo um grande dilema: apesar de não querer virar adulto de uma vez por todas, já não somos mais como os adolescentes “de hoje em dia”, que já fazem aos 12 anos coisas que a geração ET nem sonhava em fazer naquela época. Além disso, não queremos nos tornar um desses “adolescentes” de 25 anos que há por aí – queremos (ou já temos) nossa independência, pô. O que resta é tentar se virar: quase todos já trabalham; estão estudando ou recém se formaram; estão começando a definir o que é que realmente querem fazer pro resto de suas vidas.

A parte boa veio no futebol: a primeira Copa do Mundo que o pessoal da Geração ET do Fantástico lembra com detalhes foi justamente a do tetra. Nem tudo está perdido.